Em Assembléias realizadas nas últimas semanas, os estudantes dos cursos de enfermagem, fonoaudiologia e medicina se posicionaram contra a autarquização da área da saúde. Em primeiro lugar é importante esclarecer que todo o processo de discussão a respeito da autarquia aconteceu desprivilegiando os estudantes. O primeiro espaço de debate foi divulgado durante o período de férias letivo e aconteceu na semana em que as aulas foram adiadas devido à gripe H1N1. O segundo espaço foi realizado durante a semana da pátria, período em que os estudantes de medicina têm dispensa das aulas. Além disso, o insistente pedido dos estudantes pelo adiamento das reuniões e por participação nos grupos de trabalho não foi atendido. Por isso a nossa primeira reivindicação é por garantia de participação real dos estudantes nos espaços de discussão e de decisão da faculdade.
Em segundo lugar é importante esclarecer os estudantes, professores e funcionários a respeito dos motivos que nos levaram a tomar essa posição.
- Cabe destacar que a autarquia não garante aumento de verbas. Além disso, o argumento de que a reitoria não é capaz de aumentar os recursos do HC não é válido, afinal nas últimas semanas foi aprovado um investimento de 3,3 milhões para reforma do centro cirúrgico e ambulatórios.
- A autarquia não garante participação paritária de estudantes, funcionários e docentes na escolha de seu presidente. Corre-se o risco de que a presidência seja determinada pelo governo do estado de forma arbitrária.
- A autarquia abre espaço para que outras faculdades, inclusive particulares, passem a utilizar o complexo hospitalar como campo de estágio.
- Com a autarquia perde-se o vínculo direto do hospital com a universidade. Dessa forma o serviço pode ser priorizado em detrimento do ensino e da pesquisa.
- Em reuniões anteriores, a diretoria já deixou claro que a proposta de autarquia está vinculada à criação de uma fundação. Somos contra a administração privada nos serviços de saúde. A instalação de uma fundação não garante transparência nas contas e nas contratações. Além disso, essas instituições privadas utilizam-se da estrutura do hospital e da universidade públicos para enriquecimento particular, vide exemplos na USP e na UNIFESP.
O governo do estado já demonstrou seu real interesse em abrir os hospitais públicos à administração privada e por pouco não aprovou a legalização da dupla porta em hospitais autarquizados. É com esse parceiro que nós queremos nos aliar?
Por isso somos contra a Autarquização da Área de Saúde!
Reivindicamos:
- Um sistema de saúde 100% público com administração 100% pública;
- Aumento de verbas para a saúde e para a universidade públicas;
- Administração direta, sem fundações para o Complexo Hospitalar da UNICAMP;
- Garantia de representação paritária dos estudantes, dos funcionários e dos docentes nos espaços de decisão da faculdade;
- Garantia de Campo de estágio para os estudantes da UNICAMP;
- Garantia de que a pauta da autarquia não seja encaminhada para discussão durante o período de férias;