Manifestação contra a Autarquização e Reunião da Congregação da FCM (27/11/09)

Às 08h da manhã começou a concentração dos estudantes na FCM para a realização do ato. Iniciou-se com a distribuição de panfletos e de adesivos. Estava presente o carro de som do STU. Os estudantes se concentraram na frente da entrada da FCM tocando bateria, distribuindo panfletos e pintando cartazes. O ato contou no início com mais de 150 estudantes da medicina, enfermagem, fonoaudiologia e outros cursos e grande apoio do DCE. Foi muito importante para dar visibilidade ao posicionamento dos estudantes dos cursos da saúde, mostrou à direção a aos professores que os estudantes estão sim acompanhando o processo e se posicionando criticamente em relação a ele.

Antes da reunião foram distribuídos panfletos a todos os presentes.

A reunião da Congregação começou pelos informes. Em seguida abriu-se a palavra aos membros. Nesse momento eu falei a respeito do posicionamento dos estudantes da saúde, do caráter do ato e ressaltei o desprivilégio com o qual os estudantes vinham sendo tratados pela diretoria em relação a essa discussão, pedi também que a pauta da autarquia fosse a primeira a ser discutida.

A primeira pauta a ser discutida foi realmente a da autarquia. Iniciou-se com a apresentação realizada pelo diretor Gontijo. Ele fez uma explicação a respeito da definição e dos motivos que levaram a direção a propor a autarquia. Ressaltou como motivos a incapacidade da universidade de aportar recursos necessários para a área de saúde, a necessidade de novo modelo de investimento e gestão administrativa e de recursos humanos, a deterioração da estrutura hospitalar, a dificuldade na reposição de funcionários, devido a problemas judiciais e a impossibilidade da plena ativação da atividade assistencial. Em seguida apresentou os resultados dos grupos de trabalho, referente a gastos atuais do complexo hospitalar, quadro de pessoal e ampliações necessárias. Depois falaram os administradores do CAISM, Prof. Oswaldo Grassiotto e do Hemocentro, Prof. Cármino. Novamente falaram a respeito da necessidade de novos investimentos, de desenvolvimento da área da saúde e da dificuldade de se negociar aumento de verbas com a UNICAMP. Em seguida falou o Prof. Nelson Andreollo, elogiou a atitude da manifestação e leu ponto por ponto das reivindicações do panfleto, construindo sua fala a partir delas. Marcou sua posição favorável à autarquia e ressaltou que ele concorda com boa parte das reivindicações, mas que ele acha necessária a administração através de uma fundação, que se não houvesse a possibilidade de inclusão de uma fundação, provavelmente seria contra a autarquia. Em seguida eu me posicionei contra a autarquia, expondo e argumentando a respeito dos pontos presentes no panfleto dos estudantes. Destaquei o novo investimento da UNICAMP no hospital de 3,3 milhões, a intransigência do governo do estado na nomeação da direção de órgãos vinculados, haja vista a nomeação do reitor da USP, fato que poderia se repetir no HC e o caráter privatista que o governo do estado tem assumido. Na seqüência outros professores se posicionaram sempre em favor da autarquia, citando exemplos e destacando a necessidade de maiores investimentos e também de uma fundação. O Prof. Tatagiba criticou o fato da prioridade de campo de estágio não constar na minuta e propôs essa alteração. A estudante Juliana da fonoaudiologia se posicionou comentando principalmente as perdas que o ensino poderia ter com a implantação da autarquia. O estudante Marcelo da medicina se posicionou fazendo críticas e citando exemplos a respeito das fundações de apoio e do processo de privatização da saúde em andamento no Brasil e falou que os estudantes tinham proposta de encaminhamento em relação a minuta. A profa. Sara Saad reclamou da lentidão com que o processo está sendo discutido, a parte mais importante, a verba destinada ao hospital pelo governo do estado, não está sendo discutida de fato e por isso corre-se o risco que aautarquização não aconteça. O Prof. Djalma falou a respeito da incerteza do destino da autarquia, por depender de negociações futuras e falou que os estudantes apesar de se posicionarem contra estavam encaminhando propostas para a minuta. Novamente falei, ressaltando que os estudantes são verdadeiramente contra a autarquia, mas que os espaços de decisão da universidade não são democráticos e paritários e por isso fomos obrigados também a fazer propostas para a minuta, reconhecendo o contexto da reunião. Destaquei que a proposta de autarquia ainda estava completamente em aberto, se fosse aprovada naquela reunião não saberíamos se de fato iria existir aumento de verbas, ou seja, não tínhamos garantia nenhuma, pedi também que a pauta não fosse discutida no período das férias. O Prof. Paulo Dalgalarrondo criticou a manifestação dos estudantes, disse que era um desrespeito aos trabalhadores a presença da bateria durante a manhã na FCM. Como o Prof. Paulo era o último inscrito, não foi permitido que fizéssemos uma resposta. Em seguida foi encaminhada a votação da autarquia. Foram 23 votos favoráveis, 6 votos contra, dos representantes dos estudantes e três abstenções, do Prof. Djalma, do Prof. Ivan Toro. Na seqüência foi encaminhada a votação da minuta. A minuta foi aprovada, com uma abstenção do Prof. Djalma. Foram votadas as propostas de acréscimos na minuta. Havia três propostas. Foram aprovadas as seguintes.

- Sob qualquer novo modelo de gestão as unidades que compõem a área da saúde da UNICAMP deverão garantir a prioridade do campo de estágio para os estudantes da UNICAMP, ensino médio e graduação.

- Sob qualquer novo modelo de gestão as unidades que compõem a área da saúde da UNICAMP deverão ser áreas de ensino, pesquisas e extensões.

A proposta de garantia de representantes discentes e dos centros acadêmicos nos colegiados de administração não foi aprovada, sob o argumento que isso deveria ser decidido futuramente e não precisava ser incluído na minuta.

Na seqüência a reunião continuou com discussão das outras pautas.

Destaco a importância da manifestação, para dar força aos representantes presentes na reunião e para mostrar nossa posição para os professores. Agora temos que continuar com essa mobilização para enfrentar essa pauta no CONSU com um ato ainda maior. A luta não está perdida. É papel de todos os estudantes continuar com essa discussão e ampliá-la para outras pessoas. Temos também que continuar com o abaixo assinado que já conta com um número expressivo de assinaturas de pessoas de toda a universidade.

Um agradecimento à bateria que esteve presente do início ao fim dando força à manifestação e ao DCE que também nos deu um grande apoio.

Josué

CAAL – Unicamp