Infelizmente é cada vez mais comum vermos exemplos de homofobia praticados em nossa sociedade. Existem casos e mais casos de assassinatos, violências e atrocidades em relação às Travestis, Transexuais, Lésbicas e Gays em nosso país. O que mais indigna é a forma velada como acontecem essas agressões, não por ser feito na surdina, mas pelo pacto social que ainda hoje é dado a quem os pratica, seja através da legalidade ou não. O último e trágico exemplo disso foi o da companheira do Identidade (Grupo de Luta pela Diversidade Sexual de Campinas) a travesti Camille Gerin, que morreu à algumas semanas (27/07) no Hospital Mário Gatti (Campinas).
Ela foi encontrada no sábado por volta das 21h, quando um homem jogava seu corpo em uma valeta próxima a linha do trem no bairro Bonfim, em Campinas, acreditando que ela já estivesse morta. A polícia passou nesse momento e o levou preso, também chamando os socorros para Camille. Apesar do homem alegar legítima defesa, ela foi encontrada apenas de calcinha, com marcas de espancamento apenas em seu rosto, sendo que uma das primeira pancadas foi dada em sua nuca, mostrando que ela não tinha se defendido da agressão.
Como se não bastasse tamanha atrocidade, o homem foi liberado, pagando fiança para a polícia. O grupo Identidade, então, entrou com uma ação no ministério público, pedindo a investigação do caso e prisão imediata do assassino, no entanto, o pedido foi negado.
Este caso gera indignação, pois revela o grau de atrocidade que cotidianamente vemos em nossa sociedade. E que casos de machismo, homofobia e racismo ainda hoje fazem parte do nosso cotidiano; gerando intolerância, violência e desrespeito. Assim como, pelo fata de nenhuma cobertura ter sido dada pela mídia, que, aliás, ao tomar tal postura, acobertou o caso, ajudando a manter o malfeitor livre.
Com isso, o Grupo Identidade, convocou um ato silencioso no dia 07 de Agosto, com o objetivo de denunciar o caso. Ato este que contou com aproximadamente 200 pessoas. Estas vestidas de preto, com guarda-chuva da mesma cor. Ato que lembrava não somente a atrocidade ocorrida com Camille, mas o que ocorre com tantas outras vítimas de homofobia.
Através deste pequeno relato, nós queremos apenas mostrar nossa indgnação e profundo pesar perante tamanha injustiça. E nos colocarmos sempre em prol da luta contra a homofobia, o machismo e o racismo, assim como pela construção de uma sociedade mais justa e humana, onde todos e todas possam viver livremente, sem a marca da exploração e opressão presentes hoje em nossa sociedade. Como também, mostrar nosso pesar aos companheiros, amigos e familiares de Camille Gerin.