O mês de março é internacionalmente dedicado ao debate sobre a condição da mulher na sociedade e suas respectivas lutas contra a opressão que lhe é imposta sem muitos eufemismos. No dia-a-dia da sociedade, na televisão e na universidade é fácil encontrar discursos e atitudes que carregam no fundo a idéia de que a mulher (enquanto sujeito social, ou seja, na idéia coletiva de mulher, desligada de outras particularidades) serve quase exclusivamente ao sexo e à reprodução da família e do lar. Na Unicamp, esta realidade não é diferente e se manifesta desde as piadinhas de colegas e professores até as normas institucionais.
Na conjuntura de crise econômica e ataque aos direitos sociais universais, as mulheres são as primeiras a sentirem os impactos, pois ocupam os postos de trabalho mais precários, em que é mais fácil demitir, dispensar ou reduzir salários. Além disso, são as primeiras responsáveis pelo cuidado de crianças, idosos e doentes quando a prioridade dos governos é fazer de direitos como saúde, creche e previdência, grandes negócios que só garantem direitos a quem puder pagar. A opressão de gênero, ou machismo, é responsável pelo salário das mulheres, em média, ser até 50% menor que o salário de um homem na mesma função. Isto sem contar a violência física, psicológica, a exploração mercantil do corpo e o controle ideológico da sexualidade.
Na vida universitária, práticas e concepções machistas se manifestam nos não-raros casos de estupros e assédio sexual, falas desrespeitosas de professores e diretores (como se viu na última sessão do CONSU, em 2008) e até nas normas que regulam a concessão de benefícios. Quando precisam de um estúdio (casa para pessoas com filhos, ou casais), as estudantes que não têm um companheiro ou este não mora com ela não são contempladas pela bolsa porque ser “casada” é um critério da seleção. Ou ainda, quando uma estudante é mãe, a criança não tem o direito de freqüentar as creches e escolas infantis da Unicamp a partir de uma idade especifica, dificultando a permanência desta estudante na universidade e na vida acadêmica. É por isso que o movimento estudantil da Unicamp coloca como um dos principais temas desta época do ano o debate sobre o machismo.
As condições em que vivem homens e mulheres não são produtos de destinos biológicos, mas antes de tudo, construções sociais. Afirmamos a necessidade de organização de homens e mulheres na luta em defesa de bandeiras históricas feministas, como: combate ao machismo, contra a banalização da figura e da sexualidade da mulher, contra violência física, psicológica e moral, a favor da legalização do aborto, da garantia de direitos sociais, e muitas outras.
Calendário de março, mês de Lutas das Mulheres
- 04/03, quarta-feira: Oficina sobre Opressões às Mulheres, às 14h no IEL – sala CL01.
- 08/03, domingo: Ato Estadual Unificado do Dia Internacional de Luta das Mulheres em SP (listas de ônibus no DCE).
- 14/03, sábado: Mostra de filme “Operárias do Mundo”, às 18h no MIS (Museu da Imagem e do Som de Campinas).
- 21/03, sábado: Mesa de debate “O impacto da crise econômica na vida das mulheres: perspectivas de luta socialista e feminista”, às 14h no Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas.
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